Conquista das Missões
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CONQUISTA DAS MISSÕES

Após a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, o Rio Grande de São Pedro viveu alguns anos de paz, e a capitania prosperou. Novos casais açorianos aqui chegaram, intensificando a agricultura nas datas repartidas e doadas. A indústria do charque e da tourama progredia, e a pecuária crescia com a instalação de inúmeras estâncias nas sesmarias doadas. A paz trouxe a diminuição dos militares, que trocaram as fileiras por sesmarias, tornando-se proprietários de estâncias. Os povoados e as estâncias prosperavam, contrastando com a pobreza e a desorganização dos Sete Povos. Desde a expulsão dos Jesuítas, os Sete Povos, entregues a administradores leigos, perderam todo o seu apogeu e organização social: casas em ruínas e lavouras abandonadas, os índios voltando a viver conforme seus antigos costumes, aventureiros de ambas as Coroas roubando o gado das estâncias missioneiras. Os portugueses sabiam da situação em que se encontravam os Sete Povos: além de abandono social e econômico, estavam praticamente desguarnecidos de força militar, e os poucos índios que lá moravam odiavam os administradores espanhóis. Logo as Missões tornaram-se uma presa fácil e tentadora para os portugueses.

Na Europa, a Espanha declara guerra a Portugal em 2 de março de 1801. Esse acontecimento repercutiu em Rio Grande de São Pedro: o governador Veiga Cabral reúne os poucos recursos e soldados de que dispõe (convocou os soldados, anistiou desertores e chamou licenciados), fortalece a Vila de Rio Grande e a tonteira de Rio Pardo. Prevendo perigo ante uma nova guerra contra os espanhóis e constatando a miséria do exército português, o povo supriu espontaneamente a organização militar. Essa união levou o exercito português à vitória. Os espanhóis tombem estavam com seu exército enfraquecido. Diante do ataque das forças portuguesas, recuaram para suas fortificações, porém não resistiram muito tempo. Os espanhóis entregaram aos portugueses o Forte de Cerro Largo e outros pontos de fronteira, como o Forte Santa Tecla, a vila São Gabriel do Batovi e uma vasta região das Missões.

José Borges do Canto era um dos soldados anistiados. Conhecedor dos campos do oeste do Rio Grande de São Pedro, fazia o tráfico de muares e gado vacum daquela região. Ao apresentar-se em Rio Pardo, recebeu a missão de atacar os Sete Povos. Se desse certo, seria promovido a capitão, mas se fracassasse seria abandonado como desertor, não comprometendo, assim, o governo da capitania. Com armas e munições e a liberdade de engajar nessa missão homens que quicassem colaborar, Borges do Canto partiu com 14 desertores. Durante a jornada, incorporaram-se 26 combatentes e mais 300 índios missioneiros descontentes. Depois de atacar alguns redutos fortificados, Borges do Canto dirige-se para São Miguel, então já com um exército de 1000 índios. No dia 8 de agosto de 1801, sitiou São Miguel: 3 dias depois, o governador espanhol entrega essa missão. Com o auxílio dos caciques guaranis, as outras missões foram também entregues pelos espanhóis, havendo resistência apenas em São Borja, a qual foi vencida em 23 de novembro. A região missioneira foi povoada por tropeiros paulistas e curitibanos que receberam sesmarias. A posse das Missões pelos portugueses sofreu ainda muitos ataques de espanhóis descontentes com a perda desse território. Quando a notícia de paz entre as duas Coroas aqui chegou, os luso-brasileiros ampliaram a capitania de Rio Grande de São Pedro, somando-se ao território português as Missões, até o rio Ibicuí e toda a área sul, do rio Camaquã até o rio Jaguarão.

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